Gerar energia, negar direitos: a construção do racismo energético na Amazônia
Artigo de opinião produzido por membro da rede da Aliança Jurídica pela Amazônia (AJA).
A expansão da infraestrutura elétrica na Amazônia frequentemente reproduz lógicas coloniais de negação de cidadania e violação de direitos comunitários.
No artigo publicado no Portal Migalhas, Julia Soares, membro da Aliança Jurídica pela Amazônia (AJA) no GT Território, evidencia que a vulnerabilidade energética não termina quando a rede física atinge a localidade. Comunidades tradicionais convivem com interrupções sistemáticas no fornecimento, tarifas desproporcionais à renda familiar local e projetos de transição energética implementados à revelia da escuta social.
A autora articula o conceito de racismo energético para explicar a assimetria na qual o território que gera parcela vultosa da energia elétrica nacional permanece com os piores índices de acesso seguro, limpo e acessível à eletricidade.
“Reconhecer povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos como protagonistas legítimos da governança energética é pressuposto inafastável da justiça climática e da garantia da dignidade humana na Amazônia.”
Sobre a Autora
Julia Soares
Bacharela em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), atua na defesa dos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais, participação social e formulação de políticas públicas. É Analista de Políticas Públicas Jr. no Instituto de Defesa de Consumidores (IDEC), no Programa Clima e Consumo, e integra a Rede Energia & Comunidades. É membro da Aliança Jurídica pela Amazônia (AJA), no GT Território.